Para esse primeiro encontro, logo de cara pensei em levar O Bosque do Espelho, do sensacional Alberto Manguel. Adquiri o livro há alguns anos e tive a felicidade de tê-lo autografado pelo autor na Feira do Livro de 2006. Relutei. Abri meia dúzia de lirvros na estante e decidi: tinha que ser ele
Em um um livro que fala sobre Alice no país das Maravilhas, escolhi um trecho em que ele trata da Bela e a Fera. Ou Eros e Psiquê. Segue uma das melhores partes:
"Alguns anos depois, quando pude comparar minhas leituras com a sensação real de minha mão acariciando pela primeira vez um corpo amado, tive de admitir que, pelo menos uma vez, a literatura não estava à altura. Contudo, a excitação daquelas páginas proibidas permanecia. Os adjetivos ofegantes, os verbos impudentes, talvez não fossem úteis para descrever minhas próprias emoções confusas, mas transmitiam para mim, então e naquele lugar, algo corajoso, espantoso e singular.
Essa singularidade, descobriria mais tarde, marca todas as nossas experiências essenciais. Escreve Aldous Huxley em As portas da percepção:
"Vivemos juntos, influímos nos outros e reagimos uns aos outros, mas sempre e em todas as circunstâncias estamos sozinhos. Os mártires entram de mãos dadas na arena, mas são crucificados sozinhos. Abraçados, os amantes tentam desesperadamente fundir seus êxtases insulados numa única autotranscendência; em vão. Por sua própria natureza, cada espírito encarnado está condenado a sofrer e gozar em solidão".
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