terça-feira, 17 de junho de 2008

"Maioria de um só"

Semana3

Por Albertine

Depois que vi o filme “Na natureza selvagem”, fiquei catatônica por uns quatro dias. Eu não habitava mais o meu corpo. Só era capaz de executar as funções mais vitais. Estava parecendo com Darrell Standing quando submetido à camisa de força em o “Andarilho das estrelas”, livro de Jack London.

Sim, eu sou uma pessoa impressionável, a minha relação com o mundo, em um primeiro contato, ocorre com base no “ou eu amo, ou eu odeio.” Sinto, depois penso a respeito. E o meu encontro com a história de Christopher McCandless, principal personagem de “Into the Wild”, título original, não poderia ter sido diferente.

Não vou contar o filme aqui, mas o recomendo a todos aqueles que se sentem desajustados neste planeta, que acreditam que está tudo fora de ordem, que não entendem como as coisas (“things, things, things”) podem ser mais importantes do que as pessoas. Quem sabe, vocês não se sintam menos solitários ao assistir a história de alguém que abriu mão do “american way of life” e botou o pé na estrada para descobrir o seu jeito de fazer a vida.

Além de Chris, você poderá descobrir Thoreau e rever velhos conhecidos como Tolstoi e Jack London. Reunidos em uma espantosa sincronicidade, mesmo vivendo em épocas distintas, alertando para assuntos tão atuais, como a necessidade urgente do homem se reintegrar à natureza. Todos acompanhados pela trilha sonora de Eddie Wedder. O roteiro partiu de um livro de Jon Krakauer, jornalista americano que se sentiu impelido a desmistificar a idéia de que o jovem, que dá vida ao longa, era apenas mais um descompromissado aventureiro.

E foi exatamente este livro que eu levei para o Clássicos. Na verdade, é o quarto encontro consecutivo para o qual trago algo relacionado ao filme. Um pouco de compulsão da minha parte? Talvez. Acho que tenho uma intensa necessidade em compartilhar. Deve ser a mesma motivação que leva um crente a ficar pregando na parada de ônibus ou no meio do carnaval de rua.

Já ouvi opiniões muito divergentes sobre a trajetória de Christopher McCandless. Alguns o acham ingênuo e passional, fazendo quorum à crítica de O Globo. Mas o que se esperar de um veículo cartesiano e neoliberal que adora estampar a última tecnologia em cirurgia plástica para acabar com as rugas que você levou anos para conquistar? ... Outros, como eu, se surpreenderam com a coragem e se identificaram com o seu despreendimento.

Maldito do imbecil que disse que a democracia é a forma mais justa de governo. Qualquer homem mais correto que seus vizinhos já constituiu a maioria de um só, já dizia Thoreau.


Em nome da democracia, deixo-os com um trecho do livro que deu origem ao “Na natureza selvagem”. Dêem vocês o veredicto.

Bom Apetit!

“Em relação a quando visitarei a civilização, não será breve, acho. Não me cansei da natureza; ao contrário, deleito-me cada vez mais com sua beleza e com a vida errante que levo. Prefiro a sela ao bonde, e o céu salpicado de estrelas a um teto, a trilha obscura e difícil, levando ao desconhecido, a qualquer estrada pavimentada, e a paz profunda do campo ao descontentamento gerado pelas cidades. Você me censura por ficar aqui, onde sinto que é o meu lugar e que sou uno com o mundo a minha volta?
É verdade que sinto falta de companhia inteligente, mas há tão poucos com quem compartilhar as coisas que significam tanto para mim que aprendi a me conter. É suficiente que eu esteja cercado de beleza...
Mesmo com base em sua descrição insuficiente, sei que não conseguiria suportar a rotina e o tédio da vida que você é forçado a levar. Não acho que poderei algum dia fixar residência. Já conheci demais as profundezas da vida e preferiria qualquer coisa a um anticlímax.”

*Serviço
KRAKAUER, Jon. Na natureza selvagem; tradução Pedro Maia Soares. – São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

domingo, 8 de junho de 2008

As memórias do livro

Semana 3


Por Fernando Silva


Sinopse: Da Espanha de 1480 até a enfraquecida Sarajevo de 1996, um livro sagrado de valor incalculável é caçado por fanáticos políticos e religiosos. Seu destino está nas mãos de uma talentosa conservadora de livros a charmosa protagonista Hanna, e sua recuperação resulta em um mistério histórico arrebatador.

Quando Hanna é chamada a Sarajevo para examinar o Hagadá, um código judaico do século XV que havia desaparecido durante a guerra da Bósnia, ela não pode acreditar que um documento tão maravilhoso estava preservado depois de tantas guerras e tanto preconceito. A partir de pistas encontradas no próprio manuscrito uma asa de inseto, manchas de vinho e um pêlo branco Hanna desvenda uma série de enigmas fascinantes e reconstrói as memórias do livro. E o resultado é um verdadeiro épico, uma corrida contra o tempo para revelar o passado e dar espaço à crônica da história do livro, enquanto Hanna procura a cura para uma criança vítima da intolerância da guerra, um amor impossível, sua própria identidade e proteção: do Hagadá e de sua própria vida.


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Há muito tempo me interessa tudo o que se escreve sobre os Balcãs e, mais especificamente, sobre a Bósnia. Por isso, tenho que admitir que esperava muito desse livro. Contudo, não me agradou, de qualquer forma. A narrativa é fraca e, por vezes, extremamente chata...

Bem, estou aqui pensando que, definitivamente, eu não sei escrever resenhas. Tampouco sei descrever filmes que vejo ou livros que leio. Eu sempre me concentro em detalhes insignificantes que, para muitos , seriam extremamente desnecessários mas, para mim, fazem todo sentido, Por isso sempre percebo que as pessoas me olham de um jeito estranho quando eu tento descrever o que vejo ou leio.

Enfim, eu só gostaria de lembrar a todos que amanhã a Romênia fará a sua grande estréia na Eurocopa contra a ridícula seleção da França. Me falta inspiração para qualquer outra intervenção. Espero me sair melhor no próximo post!

OBS: A sombra do vento é um dos melhores livros que já li. (2)

Serviço
BROOKS, Geraldine. As memórias do livro. São Paulo: Ediouro, 2008. 384 p.

domingo, 1 de junho de 2008

(Des) Apego

Semana 3 com: As memórias do livro e Maioria de um só.

Nessa semana, Fernando, além de ter escolhido com antecedência o texto do Clássicos, conseguiu mais uma façanha: trouxe uma não-dica de leitura. Quer dizer, falou de um livro com o qual ele se decepcionou muito e recomenda que não gastemos nosso suado dinheirinho com essa “perda de tempo”.

Fe - Me decepcionei muito com esse livro. Queria trazer ele pra cá e também fazer uma resenha.
Dani - Faça a resenha, vá no Sebinho e venda o livro.
Albertine - Exatamente.
Fe - Não, não, isso eu não posso.
Dani - Mesmo quando você não gosta do livro, você não consegue se desfazer dele?
Albertine - Fernando, você tem que se desapegar. Depois do Into the Wild você não aprendeu nada?
Fe - Não, não, não, não...com livro não....o máximo que eu posso fazer é doar para a biblioteca.
Tuti – Isso. Aproveita e leva aquele outro livro que eu ganhei e detestei, “Livro dos livros perdidos”....(risos)


* * *
Tuti – Mas, Fe, por que trazer uma coisa que você não gostou pra cá?
Fe – Por que a idéia não é trazer uma coisa com a qual a gente teve contato recentemente?
Albertine – É, ou que você tenha lembrado de já ter lido....
Tuti – Só fiquei curiosa com a sua escolha.
Albertine – Mas é útil dar uma dica do tipo “ó, não leiam tal coisa...”
Tuti – Quem realmente quiser ler, pode pegar o do Fe emprestado, começar a ler, desistir e devolver... (risos)
Albertine – Eu confio na opinião dos meus amigos.
Fe – Mas eu não sei. Eu quero emprestar esse livro pra alguém, sem falar o que eu achei, pra saber a opinião da pessoa.
Tuti – Ei, você, estanho, lê esse livro aí e depois me diz o que achou....


* * *
Fe – Ei Ju, não faço uma orelha em um livro nunca, assim como você fez agora.
Albertine – Eu faço. Eu dobro, eu risco, eu cheiro....
Fé – Mas por que fazer isso?
Albertine – Você já viu aquele filme que o cara viaja pelos vinhedos da Califórnia? Sideways? Tem uma coisa que eu gosto muito que é a cena em que ele guarda um vinho, durante a vida inteira, pra tomar num momento muito especial, e, de repente, ele descobre que o valor daquele vinho é relativo. O vinho só tem o valor que ele investe nele. Então, o protagonista resolve tomá-lo com um hamburguer de um fast food qualquer. Com o livro é a mesma coisa, depende do valor que você está emprestando pra ele.
Fe – Mas é que se todo mundo começar a fazer isso, daqui cem anos a gente não vai ter memória da nossa época.
Albertine – Mas é que eu não gosto de ficar emprestando minhas coisas pra todo mundo...(risos) E tem mais, vai ficar tudo armazenado na internet mesmo.


* * *
Tuti - A Sombra do Vento é um do melhores livros que já li.