sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Literatura mineira-brasiliense

Por Érica Abe

Para o Clássicos da semana retrasada (sim, esse post é bem atrasadinho), decidi levar um escritor - que também é jornalista - daqui de Brasília mesmo. Apesar de ter nascido em MG, José Rezende Jr. lançou seu primeiro livro, A mulher gorila e outros demônios, na capital federal. E é onde também está escrevendo também sua segunda aventura pelo mundo ficcional.


Para o nosso encontro, optei por levar o primeiro conto da Mulher Gorila. Chama-se Pleibéqui. É denso, curto, conciso, inesperado, surpreendente....enfim....bom pra caramba. Como o Rezende optou por colocar Mulher Gorila na net, me senti ainda mais à vontade para colocar o ínício do conto aqui. O restante, vocês conferem no site dele.

"Só fui reparar que era a Creuza quando ela já tava lá, no meio do palco, as luzes todas em cima, tinha até começado a cantar. Como eu ia adivinhar, se o locutor anunciou um nome que não era Creuza? Burro, na hora nem me passou pela cabeça, todo artista muda de nome pra ficar mais chique, se bem que, segundo a revista, já tem mãe batizando filho com nome artístico pra não precisar trocar depois de grande. E só quando a Creuza já tava lá no meio do palco e do refrão da música foi que me lembrei da promessa que ela fez uns anos atrás, nem era promessa, era mais um sonho, “eu vou ser cantora”, e eu ri, e não podia ter rido, ela me disse depois, quando eu telefonei pro salão de beleza pela décima vez e ela, cansada de mandar a Dirce dizer que tinha morrido e que queria que eu morresse também, pegou o telefone e gritou “você não podia ter rido de mim, podia ter falado du-vi-deo-dó ou sei lá acho que vai ser difícil porque o que mais tem neste país de merda é cantora de merda, podia falar qualquer coisa, menos rir na minha cara.” Eu não devia mesmo ter rido, porque ela não riu naquele dia quando a gente namorava e eu disse que ia ser jogador de futebol, ela ficou séria, “se é o que você quer, dou a maior força”, mas eu não fui jogador de futebol, não fui porra nenhuma, e ela agora era cantora, tinha palco, luz azul e tudo."

Nenhum comentário: