sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Metrô: ícone do sepultamento da humanidade.

xxxxxxxxxxxx


Por Albertine

Carreguei para o Clássicos impressões, nada imparciais, de um cubano sobre Nova York e São Paulo. Adivinhem para que lado ele puxou a sardinha? (quem construiu essa expressão deve mesmo achar sardinha um desbunde gastronômico).

O compatriota de Fidel começa comparando o metrô das duas capitais. Nada melhor do que inaugurar a analogia com o ícone do sepultamento da humanidade. Interessante é perceber como os contrastes do Brasil estão refletidos, até mesmo, no sub de Sampa. Obras de arte e banheiros caminham lado a lado. Já em New York, não tão nova assim, o metrô é a representação do corroído “american way of life”. Paredes cheias de mofo e nada de banheiros. Vai dizer que isso não é a cara dos americanos. Mas incompreensível do que essa pura falta de civilidade, só mesmo o sistema eleitoral dos EUA.

Vou deixar o resto para vocês desenterrarem. Mas o texto vale mesmo pela sensibilidade do autor, um olhar bem particular de um homem experiente que tem a capacidade de parir esse filho de frase: Aos 77 anos de idade, a primeira impressão é a última.


http://www.revistapiaui.com.br/edicao_25/artigo_774/NY_e_SP.aspx

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Literatura mineira-brasiliense

Por Érica Abe

Para o Clássicos da semana retrasada (sim, esse post é bem atrasadinho), decidi levar um escritor - que também é jornalista - daqui de Brasília mesmo. Apesar de ter nascido em MG, José Rezende Jr. lançou seu primeiro livro, A mulher gorila e outros demônios, na capital federal. E é onde também está escrevendo também sua segunda aventura pelo mundo ficcional.


Para o nosso encontro, optei por levar o primeiro conto da Mulher Gorila. Chama-se Pleibéqui. É denso, curto, conciso, inesperado, surpreendente....enfim....bom pra caramba. Como o Rezende optou por colocar Mulher Gorila na net, me senti ainda mais à vontade para colocar o ínício do conto aqui. O restante, vocês conferem no site dele.

"Só fui reparar que era a Creuza quando ela já tava lá, no meio do palco, as luzes todas em cima, tinha até começado a cantar. Como eu ia adivinhar, se o locutor anunciou um nome que não era Creuza? Burro, na hora nem me passou pela cabeça, todo artista muda de nome pra ficar mais chique, se bem que, segundo a revista, já tem mãe batizando filho com nome artístico pra não precisar trocar depois de grande. E só quando a Creuza já tava lá no meio do palco e do refrão da música foi que me lembrei da promessa que ela fez uns anos atrás, nem era promessa, era mais um sonho, “eu vou ser cantora”, e eu ri, e não podia ter rido, ela me disse depois, quando eu telefonei pro salão de beleza pela décima vez e ela, cansada de mandar a Dirce dizer que tinha morrido e que queria que eu morresse também, pegou o telefone e gritou “você não podia ter rido de mim, podia ter falado du-vi-deo-dó ou sei lá acho que vai ser difícil porque o que mais tem neste país de merda é cantora de merda, podia falar qualquer coisa, menos rir na minha cara.” Eu não devia mesmo ter rido, porque ela não riu naquele dia quando a gente namorava e eu disse que ia ser jogador de futebol, ela ficou séria, “se é o que você quer, dou a maior força”, mas eu não fui jogador de futebol, não fui porra nenhuma, e ela agora era cantora, tinha palco, luz azul e tudo."